Nova reunião negociará fim da greve dos rodoviários em São Luís



Texto do G1-Ma

quarta-feira, 28 de maio de

Uma nova reunião para negociar o fim da greve dos rodoviários em São Luís será realizada às 16h desta quarta-feira (28), na sede do Tribunal Regional do Trabalho no Maranhão (TRT-MA), na capital maranhense, segundo informações da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT).

Presidente dos rodoviários Gilson Coimbra

Foram convocados representantes do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários do Maranhão (Sttrema), do Sindicato das Empresas de Transporte (SET), Ministério Público Estadual (MP-MA), Prefeitura de São Luís e governo do estado - os mesmos que não chegaram a um consenso na reunião de quatro horas de duração realizada nessa terça-feira (27).

Na primeira reunião, os rodoviários apresentaram uma segunda proposta às empresas, diminuindo o percentual de reajuste de 16% para 11% e mantendo os pedidos de reajuste do ticket-alimentação para R$ 500 por mês, inclusão de um dependente no plano de saúde e implantação de plano odontológico.



Mesmo assim, o SET não cedeu e exigiu da Prefeitura de São Luís pagamento mensal de R$ 4 milhões para diminuir o prejuízo alegado pelos empresários. No entanto, o secretário Canindé Barros, da SMTT, disse que o Executivo não pode bancar esse repasse, apenas medidas de médio e longo prazos, como a instalação de um sistema biométrico facial que ajudaria a identificar os usuários dos cartões de transporte e aqueles que têm direito ao passe livre. Outra proposta a ser estudada, em parceria com o governo estadual, é a diminuição no ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) cobrado sobre o valor do óleo diesel.

Aumento de passagem descartado

O secretário Canindé Barros afirmou, em entrevista ao G1 concedida na manhã desta quarta-feira, que está descartado um possível aumento da passagem de ônibus na capital maranhense.

"Aumento descartado porque o sistema não comporta. O sistema está todo quebrado. Eles só rodam 75% da frota que deveriam rodar, então, para que dar um aumento de tarifas?", questionou o secretário.

De acordo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários do Maranhão (Sttrema), o último aumento de passagem foi registrado há cinco anos em São Luís. "É uma defasagem muito grande", disse ao G1.


A discussão sobre um possível aumento da passagem de ônibus iniciada com a greve dos rodoviários em São Luís levou internautas a se mobilizarem para realizar uma manifestação caso a alta no preço da tarifa se concretize. Intitulado 'Se a passagem de ônibus  aumentar, São Luís vai parar', o evento do Facebook já tem 10 mil confirmações de aproximadamente 50 mil convidados, na manhã desta quarta-feira (28).
Segundo dia de paralisação total

Pelo segundo dia seguido, São Luís amanheceu nesta quarta-feira (28) totalmente sem ônibus nas ruas. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários do Maranhão (Sttrema), Gilson Coimbra, confirmou, no início da manhã, que a categoria vai continuar a paralisação total da frota na capital maranhense até que a situação dos trabalhadores seja resolvida.

"[A greve] Continua hoje 100%. Só vamos voltar a rodar quando resolver a situação dos trabalhadores, e esperamos que nesta quarta se resolva a situação. Na terça, baixamos nossa proposta e agora estamos nas mãos da prefeitura e da classe patronal. O trabalhador quer trabalhar", declarou Coimbra em entrevista à Rádio Mirante AM.
Ponto de ônibus completamente vazio na Avenida Ana Jansen, no São Francisco, em São Luís (Foto: Zeca Soares / G1)

Multa do TRT-MA

Na terça-feira, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MA) aplicou multa de R$ 384 mil ao Sindicato dos Rodoviários pelo não cumprimento de decisão proferida pela desembargadora do TRT-MA Ilka Esdra, que determinou que 70% da frota circule em São Luís durante a greve. A penalidade é referente aos quatro dias em que os rodoviários não cumpriram a liminar. Segundo a SMTT, na última quinta-feira (22), apenas 35% da frota de ônibus circulou nas ruas, enquanto na sexta (23) foram 59%; no sábado (24), 63%, e no domingo (25) o movimento foi normal. Na segunda (26), a frota operou com 63% e, na terça, a paralisação foi total.

Além da multa, o novo despacho da desembargadora determina que o movimento grevista volte imediatamente ao trabalho. No entanto, até o momento, o Sindicato dos Rodoviários foi oficialmente notificado da multa no valor de R$ 96 mil referente apenas ao primeiro dia de paralisação.

Paralisação

O movimento grevista foi deflagrado após uma série de reuniões entre o Sindicato dos Rodoviários e o SET, que representa as empresas. Apesar da mediação do Ministério Público do Trabalho, não houve consenso sobre o percentual de reajuste solicitado pelo rodoviários.

Durante as negociações, o SET não apresentou propostas. Em entrevista coletiva concedida no primeiro dia do movimento, o presidente do sindicato das empresas, José Luiz de Oliveira Medeiros, disse que os empresários não têm como bancar qualquer reajuste ou benefício. Segundo ele, desde o fim de 2009, a cada mês os empresários acumulam um prejuízo superior a R$ 9 milhões. "Lamentavelmente, ir a uma negociação sem condições de oferecer nada é desgastante para as duas partes. Por isso é que não foi possível esse entendimento", argumentou.

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