Neste domingo (18), o mistério sobre o paradeiro dos irmãos Ágatha Isabelle (6 anos) e Allan Michael (4 anos) completa 15 dias, mobilizando uma das maiores operações de resgate já vistas no interior do Maranhão. O grande diferencial desta nova etapa é o início das operações com a tecnologia side scan sonar, trazida por 11 militares da Marinha do Brasil. O equipamento funciona como um verdadeiro "raio-X subaquático", permitindo que as equipes identifiquem qualquer anomalia no fundo do Rio Mearim e de lagos vizinhos, mesmo com a visibilidade zero das águas turvas.
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Segundo o Capitão Simões, da Capitania dos Portos do Maranhão, o sonar permite mapear o leito do rio com precisão cirúrgica. Esta tecnologia já foi utilizada em casos complexos, como no desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek, e agora serve para otimizar o trabalho dos mergulhadores e bombeiros que estão exaustos após duas semanas de buscas ininterruptas. A operação conta ainda com o apoio logístico de lanchas voadeiras e motoaquáticas, que percorrem áreas de difícil acesso na zona rural de Bacabal.
Um ponto crucial da investigação foi o depoimento de Anderson Kauã, de 8 anos, que desapareceu junto com os primos e foi resgatado no dia 7 de janeiro. À equipe do Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA), o menino relatou que os três chegaram a um abrigo improvisado, conhecido pelos policiais como "casa caída". Anderson afirmou que deixou Ágatha e Allan na estrutura de palha e barro enquanto saía pela mata em busca de ajuda. Localizada no povoado São Raimundo, a cerca de 12 km do ponto de partida (considerando as trilhas de mata), a casa continha um colchão, botas e um banco, confirmando a passagem das crianças por ali.
A força-tarefa agora integra profissionais de três estados: Maranhão, Pará e Ceará. Sete bombeiros paraenses e cinco cearenses, acompanhados de seis cães farejadores de elite, continuam fazendo a varredura por terra, enquanto a Marinha foca no ambiente fluvial. O Repórter Bial Mendes segue acompanhando o caso minuto a minuto, levando a informação com a seriedade que o caso exige. A esperança da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos permanece viva, enquanto o estado aguarda por respostas definitivas.