HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO: Escritor maranhense perde R$ 1 milhão em apostas online, vira vendedor de biscoitos no Rio e lança livro alerta

 A trajetória do escritor e ex-empresário maranhense Leandro Coelho de Sousa é um alerta sobre os perigos da dependência em jogos de azar online. Formado em Geografia e ex-proprietário de empresas no setor farmacêutico, Leandro estima ter acumulado um prejuízo de cerca de R$ 1 milhão em apostas, perdendo todo o patrimônio acumulado antes de conseguir reconstruir a vida vendendo biscoitos nas praias do Rio de Janeiro.

Sua história de queda e recomeço foi transformada no livro "Jogos de azar: A pandemia silenciosa", obra em que relata o ciclo de compulsão e orienta famílias atingidas pelo problema.

Leandro Coelho


A armadilha do vício e a ilusão dos grandes ganhos

Leandro relata que ingressou no universo das apostas em um momento de extrema vulnerabilidade emocional, enfrentando problemas graves de saúde na família e instabilidade nos negócios. Em um único dia de apostas, chegou a faturar R$ 32 mil, mas logo em seguida perdeu R$ 100 mil. Na tentativa compulsiva de recuperar o prejuízo, viu toda a sua reserva financeira e bens patrimoniais desaparecerem.

Com o esgotamento dos recursos e o avanço da depressão, ele tomou a decisão de deixar o Maranhão e se mudar para o Rio de Janeiro, onde encontrou na venda ambulante de biscoitos em Copacabana a oportunidade de reiniciar a vida com dignidade.

Ludopatia: Especialistas alertam sobre o mecanismo cerebral

A dependência em jogos de azar, tecnicamente conhecida como ludopatia ou transtorno do jogo, é uma condição médica reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo especialistas em saúde mental, o ciclo alternado entre vitórias e derrotas estimula descontroladamente o sistema de recompensa do cérebro através da liberação de dopamina, gerando um efeito de compulsão (fissura) similar ao de substâncias químicas.

Terapeutas alertam que o simples bloqueio governamental de plataformas e sites de apostas não basta para sanar a dependência de quem já desenvolveu o transtorno. O tratamento eficaz exige acompanhamento multidisciplinar com psicoterapia cognitivo-comportamental, suporte familiar e, quando necessário, intervenção psiquiátrica medicamentosa.

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